Aqui há
ciência (STOL – Science Through Our Lives)
Uma estação
“mágica”
Por Marina
da Costa Maciel
"Há muito que o verão parece ter perdido a graça (se é que
alguma vez a teve durante este ano!) mas o adeus oficial só chega na próxima
terça-feira. E já que o verão não esteve para grandes conversas, pois que venha
o outono e nos traga tudo a que temos direito. Não pinte esta estação de
cinzento, queremos mostrar-lhe que o outono é bem colorido e cheio de ciência.
O início da “nova” estação é mercado pelo equinócio de
outono, que, em 2014, ocorre no Hemisfério Norte às 2:29 horas do dia 23 de
setembro. Quer isto dizer que, no primeiro dia de outono, a duração do dia e da
noite são aproximadamente iguais (cerca de 12 horas cada), tal como acontece no
equinócio da primavera. Para ficar a perceber melhor, o equinócio de outono
refere-se ao instante em que o Sol, tal como o vemos a partir da Terra, cruza o
plano do equador celeste, que é nada mais, na menos do que o círculo máximo que
divide a superfície do nosso planeta em dois hemisférios: norte e sul. Sabia
que a data do equinócio de outono não é constante, variando entre os dias 22,
23 e até 24 de setembro? Tudo depende do calendário e, sobretudo, da órbita
ligeiramente irregular que a Terra descreve em torno do Sol. No entanto, é já
sabido que o equinócio de outono não vai acontecer no dia 24 de setembro até
2303 (o último ano em que tal sucedeu foi em 1931)!
O outono não é apenas um dia, é uma estação do ano, e só
termina em dezembro. Até lá, muitos outros fenómenos vão ocorrendo. Segundo a
agência espacial norte-americana NASA, esta estação é a “verdadeira temporada
da aurora”, pois nesta época a frequência com que as tempestades geomagnéticas
ocorrem é cerca de duas vezes superior à média anual. Estas tempestades são
peculiares e proporcionam um espetáculo de luz incrível, resultante das
partículas que são descarregadas pelo Sol e que “voam” em direção à Terra a uma
velocidade alucinante. Estas, ao colidir com o campo magnético da Terra,
interagem com átomos de oxigénio, de azoto, e de outros elementos, e dão origem
às tão conhecidas auroras boreais que, para nosso infortúnio, são mais comuns
nas regiões junto aos pólos.
O que dizer também do espetáculo de cor oferecido pelas
folhas das árvores que nos rodeiam? Em resposta à descida da temperatura e à
diminuição de luz disponível (sinal de dias mais curtos), as folhas deixam de
produzir clorofila, um pigmento verdade encontrado nas plantas, que capta a luz
solar essencial para a realização da fotossíntese. Uma vez que o verde
desvanece, outros pigmentos presentes em menor quantidade ganham força e as
folhas adquirem os tão característicos tons de amarelo, laranja e vermelho…
Como pode constatar, o outono não é tão aborrecido como
muitas vezes o apelidamos. Das evidências do dia a dia, à ciência escondida
detrás de cada uma delas vai um pulinho. Muito mais há para esmiuçar: as
colheitas, a migração de determinadas espécies de animais, a hibernação… Vamos
dar uma nova oportunidade ao outono? Não percamos tempo, ele está quase aí!"
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