23 de setembro de 2014

Dias não são dias... Outono

Aqui há ciência (STOL – Science Through Our Lives)

Uma estação “mágica”

Por Marina da Costa Maciel

"Há muito que o verão parece ter perdido a graça (se é que alguma vez a teve durante este ano!) mas o adeus oficial só chega na próxima terça-feira. E já que o verão não esteve para grandes conversas, pois que venha o outono e nos traga tudo a que temos direito. Não pinte esta estação de cinzento, queremos mostrar-lhe que o outono é bem colorido e cheio de ciência.

O início da “nova” estação é mercado pelo equinócio de outono, que, em 2014, ocorre no Hemisfério Norte às 2:29 horas do dia 23 de setembro. Quer isto dizer que, no primeiro dia de outono, a duração do dia e da noite são aproximadamente iguais (cerca de 12 horas cada), tal como acontece no equinócio da primavera. Para ficar a perceber melhor, o equinócio de outono refere-se ao instante em que o Sol, tal como o vemos a partir da Terra, cruza o plano do equador celeste, que é nada mais, na menos do que o círculo máximo que divide a superfície do nosso planeta em dois hemisférios: norte e sul. Sabia que a data do equinócio de outono não é constante, variando entre os dias 22, 23 e até 24 de setembro? Tudo depende do calendário e, sobretudo, da órbita ligeiramente irregular que a Terra descreve em torno do Sol. No entanto, é já sabido que o equinócio de outono não vai acontecer no dia 24 de setembro até 2303 (o último ano em que tal sucedeu foi em 1931)!

O outono não é apenas um dia, é uma estação do ano, e só termina em dezembro. Até lá, muitos outros fenómenos vão ocorrendo. Segundo a agência espacial norte-americana NASA, esta estação é a “verdadeira temporada da aurora”, pois nesta época a frequência com que as tempestades geomagnéticas ocorrem é cerca de duas vezes superior à média anual. Estas tempestades são peculiares e proporcionam um espetáculo de luz incrível, resultante das partículas que são descarregadas pelo Sol e que “voam” em direção à Terra a uma velocidade alucinante. Estas, ao colidir com o campo magnético da Terra, interagem com átomos de oxigénio, de azoto, e de outros elementos, e dão origem às tão conhecidas auroras boreais que, para nosso infortúnio, são mais comuns nas regiões junto aos pólos.

O que dizer também do espetáculo de cor oferecido pelas folhas das árvores que nos rodeiam? Em resposta à descida da temperatura e à diminuição de luz disponível (sinal de dias mais curtos), as folhas deixam de produzir clorofila, um pigmento verdade encontrado nas plantas, que capta a luz solar essencial para a realização da fotossíntese. Uma vez que o verde desvanece, outros pigmentos presentes em menor quantidade ganham força e as folhas adquirem os tão característicos tons de amarelo, laranja e vermelho…


Como pode constatar, o outono não é tão aborrecido como muitas vezes o apelidamos. Das evidências do dia a dia, à ciência escondida detrás de cada uma delas vai um pulinho. Muito mais há para esmiuçar: as colheitas, a migração de determinadas espécies de animais, a hibernação… Vamos dar uma nova oportunidade ao outono? Não percamos tempo, ele está quase aí!"

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